segunda-feira, 31 de maio de 2021

Mateus 3.1-12

E, naqueles dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia, e dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre. Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão. E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo. Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará”. (Versão Almeida Corrigida Fiel)

Optei em transcrever o texto na íntegra, pois fragmentado poderia trazer dificuldade na compreensão. Além disto, com o versículo isolado de seu contexto poderia, facilmente, incorrer em erro de interpretação. Precisamos também tomar cuidado para não introduzir ideias nossas no teor sacro.  

Para entender uma obra é necessário conhecer o autor. Então, sugiro ao distinto leitor que procure informações autorais. Poderá valer-se de um dicionário bíblico, ainda que conciso e/ou realizar pesquisa na Web. Caso leia esse Evangelho na íntegra, no capítulo 12.9-13 terá noção de como foi à chamada de Mateus por Jesus.

Aproveito para sugerir que faça a leitura dos dois capítulos que antecedem o trecho em destaque. Isto é bom para se situar. Note que fala rapidamente sobre o nascimento de Jesus, porém, nada da infância dele. “Naqueles dias” são cerca de trinta anos depois da volta do menino Jesus para Nazaré.

Aparece, então, João o Batista. Sabemos que este era primo de Jesus, seis meses mais velho. Iniciou o ministério antes dele. Observe que não se trata de nome composto (João Batista) o ‘batista’ é um apelido! É João o batizador ou aquele que realiza batismo. Daí ser chamado de João, o Batista.     

Diz o primeiro versículo que apareceu pregando no deserto. Quando se fala em deserto o que lhe vem à mente? Provavelmente o deserto do Saara com toda a sua imensidão e aridez, não é mesmo? A gente volta no tempo [da escola], e de certa forma tem a imagem do referido deserto. Sendo que o deserto aqui se refere a uma região não necessariamente desabitada, porém, pouco povoada.  

É importante saber que Deus habitava no meio do povo, no Templo, portanto. Este era a morada divina. Por conseguinte, guiava seu povo mediante a sua Lei. Guarde isso em mente.

Fazia uns quatrocentos anos que Deus não falava através dos profetas. São quatro séculos de silêncio do Eterno! Quando Deus volta a falar, fala mediante João, o Batista. O precursor de Jesus não está no Templo, mas no deserto. Isto é gritante!

João não tem vestes sacerdotais, porém, vestimentas e alimentação diferenciada. Deus não usou os sacerdotes da época tampouco estava mais no Templo. Deus estava no deserto com o profeta João. Para nós esse fato pode passar despercebido, mas despertava atenção das pessoas naquele período.

O fato é que Deus está falando não no Templo, mas no deserto através da instrumentalidade de João. Isto é digno de nota.

Noutra postagem vamos nos deter na pregação do profeta João, ainda pautado em Mateus 3.-1-12. Se não leram ainda os dois capítulos anteriores, leiam, por favor, ajudará no entendimento da Palavra de Deus.

Deus os abençoe ricamente.

Quer realmente entender a Palavra de Deus?

Não é novidade que o brasileiro lê pouco comparado com indivíduo de país desenvolvido. Há um disparate no tocante a leitura. Algo gritante.

Além disto, soma-se ao fato de que o brasileiro lê mal. Ele até lê, mas não sabe ler. Isto é descrito como analfabetismo funcional. O sujeito faz leitura, porém, não compreende; sequer consegue interpretar o texto.

No âmbito religioso não é diferente. Não é a toa que no cenário evangélico, por exemplo, há múltiplas interpretações (algumas antagônicas!) sobre o mesmo texto bíblico. Não hesito em dizer que boa parte da Bíblia é mal entendida, porque é mal interpretada. Em outras palavras, muitos não sabem ler a Palavra de Deus.      

Diante no exposto não quero tecer críticas, porém, apontar caminhos para realmente compreender a Palavra de Deus. É tarefa árdua, mas satisfatória. Como é bom apreender adequadamente a Bíblia! Por isso, caso aceite o desafio é só me seguir.

Em várias postagens além de explicar a Bíblia (objetivo desse blog) mostrarei os caminhos a serem percorridos. Oferecerei ferramentas para estarem devidamente habilitados para a hercúlea, mas nobre tarefa.

Que Deus lhe abençoe ricamente nessa [nova] empreitada.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Dom de línguas: inteligíveis ou ininteligíveis?

Muita confusão ainda há no que tange ao fenômeno bíblico de línguas. Por isso, espera-se dissipar ou dirimir algumas dúvidas. É necessário mente reverente e abertura de coração em relação ao que a Bíblia preceitua. Que para tanto Deus ilumine para a devida compreensão.

É de bom alvitre o leitor conceber que a palavra “estranha” atrelada à língua inexiste no texto grego. Ainda assim, quando o tradutor em nossa língua vernácula usou o termo não o fez com o sentido de língua ininteligível.

O fenômeno de línguas é descrito como glossolalia, isto é, falar [em] línguas. No dia de Pentecostes foi concedido pelo Espírito Santo – miraculosamente, a capacidade de falarem em línguas humanas. Não se tratou de línguas angelicais e/ou celestiais muito menos línguas incompreensíveis como nos dias atuais.

Ora, se a evidência do batismo espiritual fosse línguas certamente seriam idiomas; não línguas incompreensíveis. Caso o Pentecostes seja padrão então todo crente hodierno falará língua inteligível para assim fazer jus ao evento supracitado.     

Improcedente é atribuir ao ocorrido no Pentecostes milagre na audição dos ouvintes quando explicitamente o Espírito Santo concedeu que falassem noutras línguas. É dito com todas as letras que falaram em várias (ou diferentes) línguas de acordo com tradução acertada.

A associação indevida de línguas ininteligíveis nega o verdadeiro dom de línguas. Além disto, cria dificuldades hermenêuticas instransponíveis. Então, fique claro que a multidão com representatividade de diversas nacionalidades ouviu em suas línguas porque foram, de fato, faladas. Não é dom de “ouvido” (ou relacionado à audição). Mas é dom de línguas inteligíveis, isto é, estrangeiras.

Muitas são as especulações e conjecturas. Deixo-as de lado, visto que, só o fenômeno bíblico me interessa e, no qual me detenho. Contudo, Paulo assevera que as línguas [estrangeiras] é um sinal para os descrentes. Evoca inclusive profecia de Isaías.

É importante salientar que o dom espiritual visa proveito comum. Tem o propósito de edificar a igreja. A utilização de um dom legítimo (ou ainda o uso de uma contrafação do dom) para benefício pessoal denota o estado egoístico daquele que assim procede.

O fato é que muitos nos dias atuais apegam-se a línguas ininteligíveis e, rejeitam o autêntico fenômeno de línguas. Agem ainda hoje na ignorância apesar de serem pessoas sinceras. Somente o estudo sério, sistemático e criterioso para corrigir tal posicionamento. Terminantemente, não falam as línguas conforme se deu no Pentecostes.  

Colocando os pingos nos is ( Acerca do dom de línguas e afins)

A Bíblia esclarece que a outorga do dom espiritual ao crente é de competência do Espírito Santo. Também está claro que o dom é dado para a edificação da igreja. Isto porque objetiva-se proveito comum.

Tratando-se especificamente de variedade de línguas, conseguinte interpretação de línguas, não é concedido a todo crente. Destarte, jamais poderia ser o sinal do batismo no Espírito Santo.

Segundo o apóstolo Paulo todo crente é imerso no Espírito no começo da vida cristã, ocasião em que é incorporado no Corpo de Cristo. Daí inexiste orientação apostólica para buscar o batismo espiritual.

Diante disso, pode-se afirmar que o dom é concedido para o serviço cristão; nunca para proveito pessoal. Além de que todo crente está no mesmo patamar – posição igualitária, pois estão em Cristo.

A alegação de que há um dom de oração proveniente do Espírito posterior à salvação não se sustenta ao considerar o ensino geral da Escritura. É fato que ao torna-se cristão a pessoa recebe o Espírito Santo. Este por sua vez confere poder espiritual, e mediante sua habitação no crente, auxilia em tudo, inclusive no tocante à oração.

No entanto, a assertiva de que o crente pode se expressar com gemidos inexprimíveis não é procedente. O texto em questão diz que o Espírito Santo intercede diante do Pai com gemidos inexprimíveis, porém, não afirma que é o modus operandis do crente é o mesmo.

No livro de Atos mostra que nos três casos em que houve línguas tratava-se de línguas inteligíveis. Eram línguas reais. Ademais, não foram buscadas. Não foi adotado expediente humano para obter o fenômeno genuíno.

Já em Corinto o apóstolo Paulo admoesta os crentes de tal modo que ao deixarem as atitudes inadequadas os problemas concernentes às línguas cessariam. Transparece no texto que não se referia só ao uso inapropriado, mas pelo contexto sugere que a origem do fenômeno era doutra natureza.

De qualquer forma o apóstolo requer ordem e decência na reunião cúltica. Além disto, impõe a necessidade de inteligibilidade no culto, principalmente, em relação às línguas.

Uma digressão se faz necessária: ao descrever variedade de línguas Paulo versa sobre várias línguas étnicas, excluindo assim línguas ininteligíveis.

Aos que advogam que línguas incompreensíveis é sinal do batismo espiritual, e para beneficio próprio, vale lembrar que Paulo afirma que as línguas não são sinais para os crentes, mas sim para os descrentes.

Fiquemos, pois, com aquilo que a Bíblia preceitua. Que Deus nos abençoe, portanto.  

domingo, 15 de março de 2020

Questiúncula

Li algures que o termo ‘lógos’ aparece mais de trezentas vezes no Novo Testamento. Ainda assim, alguns acham que o vocábulo é uma raridade! Dentre esses, uns estufam o peito, referem-se como se fosse utilizado apenas uma vez: João 1.1. Aqui está o Lógos de Deus - dizem. E, como desconhecem a língua grega, conseguinte o Novo Testamento na língua original não percebe que a palavra em questão aparece muitas vezes com significados diferentes.
No verso supracitado ‘lógos’ é traduzido como Verbo. Então, assevera que Jesus era o Verbo e, sobretudo era Deus. Sem dúvida alguma a divindade de Jesus está explícita nesse versículo.
De fato no texto grego o termo lógos está na forma minúscula. Sendo que o versículo diz que no princípio estava com Deus e, era Deus. Pelo contexto verifica-se que o lógos fez todas as coisas, enfim, trata-se de um Ente Criador. Fica patente que Jesus é esse lógos.
Diante desse entendimento, a tradução pode sim, colocar em letra maiúscula (Verbo). Afinal, toda tradução é uma interpretação. Todavia, quando lemos o Novo Testamento vemos outros significados para o mesmo termo. Daí a necessidade de interpretação criteriosa para tradução plausível.

* Sabe-se que originalmente o texto sacro era todo em letra maiúscula, sem separação de palavra, acentuação e pontuação também. 

sábado, 14 de março de 2020

Leitura + aplicação (?)

Aos dezenove anos de idade tornei-me pregador da Bíblia. Devorava a Bíblia. Bastantes livros evangélicos eram compulsados. Além disto, acompanhava pregações radiofônicas. 
Pregava com paixão.  Tinha apreço enorme pelas Escrituras. Fazia parte de grupo evangelístico interdenominacional, inclusive. Pois bem, tinha o hábito de ler a Bíblia e aplicá-la imediatamente a vida das pessoas. Alguém poderá dizer que isso é bom, porém, deixa-me explicar. Consistia no seguinte: leitura + aplicação. Isto na verdade é perigosíssimo. Agir desse modo desconsidera um monte de coisa. Não posso tratar de tudo aqui. Sendo que posso mencionar, por exemplo, que é imperiosa a interpretação. Esta deve vir antes da aplicação. Sem interpretação a aplicação não será plausível.
Penso que o ideal é fazer a leitura, interpretar o texto bíblico, só depois disto fazer a devida aplicação! Seria então: leitura + interpretação + aplicação! Estou referindo, grosso modo, pois entendo que junto da interpretação seja necessária a exegese. 
Entretanto, saliento a necessidade de ter interpretação sadia e criteriosa. Portanto, não basta ler e aplicar logo o texto sacro à vida alheia ou a sua própria. Pense nisto.

Dicas singelas que faz enorme diferença!

Tenho noção da Bíblia como todo. Dito de outra maneira eu tenho conhecimento geral das Escrituras. Isso não significa que sei de todos os pormenores. Não coloque palavras em minha boca, por favor.
No tocante as línguas originais também eu tenho noção delas. O hebraico não me é desconhecido tampouco o grego bíblico. Isso não significa que sou especialista nas línguas antigas, porém, faço leitura, estudo de vocábulo, etc e tal. Consigo instrumentalizá-las.
Então, quando ouço alguma coisa que realmente não bate com a Bíblia entro logo em alerta. Posso na hora não saber exatamente o que o trecho evocado diz, mas sei quando não coaduna com o ensino geral das Escrituras.
Por isso, quero encorajar a ler a Bíblia inteira, várias vezes, sem pressa. Não se prenda a ler a Bíblia em um ano (o que é salutar). Pode ser que leia em um ano e meio! O importante é que leia com atenção. Leia na íntegra. A essa altura alguém poderá dizer que deseja lê-la em seis meses, tudo bem, faça a leitura de maneira cuidadosa.
E, preferencialmente cada vez que ler faça numa versão diferente. As versões são bênçãos para as nossas vidas, visam nos auxiliar na compreensão das Escrituras. Não desperdice as versões em língua vernácula, aproveite-as. Leia-as.
Deus lhe abençoe. Que Ele ilumine a sua mente para a compreensão da mensagem bíblica.  

quinta-feira, 12 de março de 2020

Quem avisa...

Mencionei a necessidade de se adotar método de interpretação. A falta de adoção de método hermenêutico é o causador do balaio de gato na contemporaneidade. O emaranhado teológico hodierno comprova a obrigatoriedade disto. Então, é salutar usar princípios de interpretação bíblica.
Eu, por exemplo, uso frequentemente o chamado método histórico- gramatical. Contudo, vez ou outra, faço utilização do método histórico-crítico e também do histórico-social. Enfim, busco flexibilidade de acordo com o teor escriturístico (isto é assunto pra outra postagem).
Evito duas coisas: esquivo-me da alegorização do texto bíblico. E, furto-me da tendência de ler o trecho sacro, imediatamente aplicá-lo, sem a devida interpretação.
O importante a altura do campeonato  é conscientizar cada crente [em Jesus] a tornar-se responsável. O livre exame das Escrituras não dá o direito de interpretá-la segundo o próprio capricho. Fica aí o alerta. Quem avisa amigo é.

Necessário vos é... um método hermenêutico

Em postagem anterior disse que ia abordar sobre interpretação. Promessa é dívida. Sendo que não aprofundarei na temática, porém, desejo encorajar o ledor a utilizar método hermenêutico.
Alguns irmãos em Cristo, sinceros, alegam que não é necessário ter noção de hermenêutica (relativo à arte de interpretar). Contudo, ‘interpretam’ a Bíblia a seu bel prazer. Tal comportamento, sem dúvida, é inaceitável.
A Bíblia é um documento religioso. Precisa ser entendido, não se pode dar sentido múltiplo ao texto sacro. Por isso, requer um método de interpretação. Isto é de bom alvitre – acredite em mim.
Então, ao decidir pelo [melhor] método hermenêutico deverá seguir os ditames a fim de extrair do texto bíblico a mensagem da parte de Deus. Vale lembrar que devemos ser criteriosos e responsáveis no que tange a interpretação. É questão de honra para os cristãos, afinal a Bíblia é a única regra de fé e conduta destes.

* Incentivo-os a pesquisarem sobre os métodos de interpretação, e adotar aquele que se adequem as suas vidas.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém

Nesses dias uma crente piedosa referiu-se ao evento acerca de Elias. Disse ela: Elias subiu numa carruagem de fogo!  Olhei para ela, pensei bem, resolvi calar-me. Não tratou de omissão. É que tinha pessoas ao redor, não queria ‘constrangê-la’. 
No meio evangélico, o qual estou inserido há mais de três décadas, ouço vez ou outra afirmações que não coadunam com a Bíblia. Por que isso acontece? 
Algumas pessoas saem repetindo aquilo que ouviu, como se fosse verdade, sem ao menos certificar sua veracidade. Nesse caso específico, se as pessoas fossem para a Bíblia veriam que o profeta do Antigo Testamento foi elevado aos céus num redemoinho. Contudo, bastantes pessoas não consultam a Palavra de Deus.
Outra razão, é que alguns não prestam atenção à leitura bíblica. Leem a Bíblia de qualquer maneira, geralmente, de forma apressada. Não fazem leitura cuidadosa. Ainda nesse exemplo, no texto sacro realmente menciona a carruagem de fogo, porém, diz que serviu apenas para separar. Todavia, duas vezes - de modo cristalino – assevera que Elias subiu no redemoinho (Vs 1,11).
Por isso, sugiro ao dileto ledor que não saia por aí repetindo as coisas, feito papagaio, porém, vá a ‘fonte’. Além disto, leia a Bíblia com calma, se possível – medite. Leitura e meditação são coisas distintas, que podem andar juntas. Lembre-se de atentar para o texto inteiro, atenção dobrada no contexto, e não se esqueça de interpretar a Bíblia corretamente. Sobre interpretação falarei na postagem seguinte.
Deus lhe abençoe.

Em tempo: O texto bíblico em questão é 2 Reis 2.1-11.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Leitura da Bíblia

Acredito piamente na Bíblia como Palavra de Deus. E, entendo que é a única regra de fé e conduta. Talvez, o distinto ledor já tenha escutado isso, porém, para algumas pessoas não passa de mero discurso. Professam, mas se contradizem na prática.
Entretanto, não deve ocorrer assim na nossa vida. Precisamos ter postura adequada no tocante as Escrituras. Proponho então uma mente reverente e coração aberto. Uma aproximação com amor e devoção, sobretudo, em oração. Por isso, age-se inteiramente na dependência de Deus.
Dessa maneira, o Espírito Santo ilumina a nossa mente para a compreensão das verdades já reveladas, inspiradas, portanto pelo mesmo. Ele nos auxilia, porém, não nos exime de nossa responsabilidade de lermos atentamente a Bíblia, e utilizarmos recursos para o nosso auxílio como um dicionário ou comentário bíblico, por exemplo.
Pense seriamente nisto. Espero de alguma forma tê-lo ajudado. No demais, que o Eterno lhe abençoe. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Teologia

Sou pastor batista. Antes do ato consagratório pela imposição de mãos do presbitério fui submetido a exame, sabatinado, pude dar razões de minha fé. Sendo que passei quatro anos no seminário teológico para então ser avaliado e aprovado num concílio.
A instituição teológica é importantíssima para o candidato ao ministério pastoral. Deve-se aproveitar o período de estudo, dedicar-se de corpo e alma. Existe pessoa que passou pelo seminário, porém, não permitiu que o seminário passasse pela vida dela. Isto é triste, desolador.
O estudo teológico, digamos formal e, quando não confessional é o início de aprendizado ininterrupto, cuja duração é a vida toda. Falha aquele que deixa de aprender após o término do curso.
Saio em defesa da instituição teológica quando, injustamente, a atribui o abandono da fé de seminarista nalgum momento da vida deste. A instituição não tira a fé de ninguém. A bem da verdade o seminarista que abdicou dela! A culpa não é institucional, a responsabilidade deve ser assumida, não transferida.
Saliento a relevância da formação teológica séria, e, sobretudo comprometida. O seminário e/ou a faculdade tem muito a nos oferecer, e nós temos bastante ainda a aprender. Isto porque o estudo não é exaustivo, isto é, se esgota.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Sugestão para o aprendizado do Antigo Testamento

Fiquei um longo período sem escrever. Embora não parasse nem um pouquinho com a leitura. Essa faz parte do meu cotidiano. Geralmente leio assunto relacionado à Bíblia e afins. De fato minha paixão e sina é essa.
Quero falar nessa tarde sobre o estudo bíblico. Aprendi com um professor americano, Howard Hendricks, que o ensino não deve ser meramente informativo, mas transformador. Ele dizia também que o ensino devia ser algo metódico. E, cá entre nós, penso que está certíssimo.
Algumas pessoas acham, por exemplo, que o Antigo Testamento é facílimo. Todavia, quando leio uns estudiosos da área existe unanimidade em afirmar que é laborioso o estudo sério desse Primeiro Testamento. Sendo que os que acham fácil usualmente não utilizam método algum. Enfim, interpretam a seu bel prazer.
No entanto, todas as pessoas que querem de fato ler e entender o Antigo Testamento precisa adotar algum método. O profº Hendricks dizia que na leitura deve-se observar, interpretar e aplicar.
Comumente as pessoas hodiernas leem o texto sacro, imediatamente faz aplicação para a sua própria vida e/ou para a alheia. Isto a despeito do significado real do texto! O resultado é notório. Uma variante de interpretações, algumas destas até bizarras ou estranhas a Bíblia.
Caminho para o final deste sugerindo ao ledor que adquira uma Introdução ao Antigo Testamento. Pode ser comprada no sebo, isto é, loja de livro usado.  Além dessa ‘ferramenta’ recomendo um comentário bíblico. Preferencialmente exegético, porém, inicialmente o devocional poderá ser útil conquanto que o leitor atente para a bibliografia e na medida do possível leia as obras referendadas.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Batismo espiritual

Algumas pessoas tem dificuldade de compreender o que é de fato o batismo no Espírito Santo e quando ocorre. Isto porque a partir de 1900 foi propalado que este é uma ‘segunda benção’, conseguinte precisa ser buscado. Sendo que num estudo escriturístico sério e criterioso percebe-se que nunca a Bíblia diz que devemos buscá-lo. Ademais, numa análise histórica em relação ao período da igreja cristã constatará que jamais o tal ensino fez parte, visto que, surgiu apenas no início do século 20.
Na década de 90 ao fazer estudo sobre a temática deparei-me com 1 Coríntios 12.13. Pessoas contrárias ao ensino de que o batismo no Espírito Santo acontece no começo da vida cristã desdenhavam deste verso alegando que não se referia ao batismo espiritual. Diziam que se tratava do ‘batismo pelo Espírito’ na parte inicial do versículo quando todos os crentes em Jesus eram batizados no ato de conversão e que a parte final do mesmo, aí sim, referia sobre o batismo no Espírito somente para aqueles que o buscassem.
Não obstante o malabarismo hermenêutico adotado por tais pessoas claramente o verso aludido ensina duas coisas a respeito do batismo espiritual: O batismo no Espírito acontece na conversão quando somos introduzidos no corpo de Cristo e ocorre em todo o crente em Jesus. Logo, todos os crentes já foram batizados no Espírito!
Alguns insistem que os discípulos do dia de Pentecostes é padrão para nós hoje. Refiro-me aos quase 120. Ora, estes eram crentes sim, até então sob a antiga aliança. Embora esta tenha sido inaugurada com o sangue de Cristo na cruz do Calvário o próprio Jesus tinha dito que era necessário ele voltar ao Pai para que o Espírito Santo fosse enviado. Ignorar esse fato redunda em erro grosseiro.
Além disto, aos discípulos foi dada a ordem para que esperassem em Jerusalém (neste período de transição). Nós não precisamos ir a Jerusalém atual tampouco esperar o Espírito ser derramado, pois já houve o derramamento do Espírito Santo no dia de pentecostal. Não faz sentido esperar, muito menos buscar nem pedir para o Senhor derramar o que já foi derramado!
Outra coisa a experiência com o Espírito Santo nos moldes da nova aliança com o derramamento do Espírito como cumprimento profético (Joel 2) foi a ‘primeira benção’ desses discípulos. Não preciso esforçar para mostrar que eles sequer pediram o Espírito Santo e/ou batismo espiritual como alguns fazem hoje em dia; não usaram expediente humano algum. E, entre os fenômenos visíveis e audíveis daquele memorável dia os discípulos falaram línguas estrangeiras. Línguas reais, identificadas inteligíveis.
A multidão que pediu esclarecimento sobre o evento pentecostal aos apóstolos foi dito que eles precisavam arrepender-se e crerem em Jesus a fim de receber o dom do Espírito Santo, pois esta era a promessa pra eles, assim como para nós também (Atos 2.38,39). Eles não falaram em línguas [estrangeiras], mas evidenciaram que o Espírito Santo realizou uma obra no interior deles, batizaram-se nas águas e com isso foi agregados à igreja de Cristo, perseveravam na comunhão, no ensino apostólico, na oração e etc e tal.   
Todos os crentes em Jesus são batizados no Espírito. No entanto, se não existe preceituação bíblica para buscar o batismo espiritual pelas razões apresentadas há a necessidade de buscarmos a plenitude do Espírito conforme assinala o apóstolo Paulo (Efésios 5.18). Busquemos, portanto, sermos cheios do Espírito!

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Pausa para um sucinto testemunho

Desci às águas batismais há 28 anos. Converti-me aos 15 anos de idade durante leitura da Bíblia em minha residência à noite. Busquei orientação de um crente experimentado, fui direcionado então à classe de novos convertidos duma igreja batista. Tempos depois, na manhã de um domingo dei minha pública profissão de fé, submetendo-se ao batismo na programação cúltica vespertina. Quase três décadas como membro de igreja de confissão evangélica. Imensamente grato sou a Deus pelas igrejas as quais fui membro durante esse período. Por ossos de ofício tive que mudar-me seis vezes, tendo inclusive de morar noutro estado da federação. Todavia, sempre fui membro de igrejas da mesma convenção [nacional], nunca saí de minha [amada] denominação.
Pois bem, desde o começo de minha vida cristã tenho relação especial com a Bíblia. Admiro-a como literatura, porém, maravilho-me como Palavra de Deus. Aprecio-a realmente (Deus é minha testemunha). Ela tem sido até hoje a minha única regra de fé e prática. Não sou norteado por revelação extra bíblica, isto é fora da Bíblia, senão pela Palavra de Deus devidamente interpretada. Isto exige de minha parte mais tempo e atenção dedicado à leitura, meditação e estudo da Palavra. Contudo, tem sido muito prazeroso. É um misto de responsabilidade e privilégio. Aconselho a todo crente em Jesus a guiar-se sob a égide do Espírito Santo através das Escrituras. É o que tenho feito até hoje, e desejo o mesmo de todo o meu coração para o dileto leitor. Que Deus lhe abençoe rica e abundantemente.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Batismo & Plenitude do Espírito

Particularmente não acho que o ‘batismo no Espírito Santo, e em fogo’ seja uma coisa só. No contexto observa que se trata de dois batismos distintos. Então, refere-se à imersão no Espírito dos crentes e a imersão no juízo divino dos incrédulos.  
Quero falar um pouco sobre o batismo no Espírito. Como se sabe o batismo é um rito de iniciação. Em o Novo Testamento não é diferente. Veja, por exemplo, os apóstolos que eram crentes sob a velha aliança até então. Foram limpos pela palavra, tinham seus nomes escritos nos céus, porém, não havia recebido o Espírito Santo nos moldes da nova aliança. Somente no Pentecostes que receberam o dom do Espírito Santo (Cf. Atos 11. 17). Este é o próprio Espírito Santo que foi outorgado por ocasião do cumprimento profético de Joel 2.
Vimos que até para os apóstolos que vivenciaram o período transitório, da velha para a nova aliança, o recebimento do Espírito foi uma benção iniciatória. Vale lembrar que era preciso a glorificação de Jesus para que o Espírito viesse de uma vez por todas, isto é, ficar para sempre com a Igreja.
Cerca de três mil pessoas mediante arrependimento e fé receberam o [mesmo] dom do Espírito Santo (Atos 2.38). Estas pessoas, assim como nós, já se encontravam com a nova aliança em vigor. E, experimentaram um batismo espiritual inicial.
O batismo no Espírito Santo ocorreu em todo crente no começo da vida cristã (1 Coríntios 12.13). O poder espiritual para ser testemunha de Jesus é decorrente, portanto, da presença do Espírito Santo em cada um de nós (Atos 1.8).
Não obstante sermos batizados no Espírito no ato de conversão cada crente em Jesus deve (e precisa) buscar a plenitude do Espírito (Efésios 5.18). Afinal, essa é a orientação apostólica.
Observe que o batismo no Espírito ocorre uma vez só, não se repete. Por sua vez, embora a plenitude possa acontecer na conversão pode ser repetida e, deve ser buscada. Atentemos para a prescrição bíblica.  

O que é o dom do Espírito Santo?

E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2.38).

Comumente há confusão ao evocar a expressão ‘dom do Espírito Santo’, pois como está no singular associa-se imediatamente a um dom espiritual outorgado pelo próprio Espírito Santo.
O versículo supracitado menciona o dom do Espírito Santo. Seria um dom espiritual proveniente do Espírito? A resposta é um sonoro não. Não se refere a um carisma da parte do Espírito Santo.
Trata-se do próprio Espírito Santo sendo concedido como dádiva ou presente. Assim como é dadivosa a salvação é a concessão do Espírito Santo. O recebimento do Espírito Santo é um dom. Logo, recebido de maneira graciosa, sem mérito humano, portanto.
As condições da outorga do dom do Espírito são arrependimento e fé. As mesmas da salvação, pois acontece justamente no ato de conversão.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Apontamento sobre João 20.22


E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (João 20.22).

Este versículo é evocado por alguns irmãos em Cristo para mostrar que os apóstolos receberam o Espírito Santo após a ressurreição de Jesus, conseguinte foram batizados no Espírito Santo no Pentecostes. Desta maneira denominam a experiência pentecostal como ‘segunda benção’.
De fato os apóstolos estavam limpos pela palavra transmitida por Jesus (João 15.3). Além disto, os seus nomes estavam escritos nos céus (Lucas 10.20). Acertadamente eram salvos. Não tenho dúvida disto. Sendo que é complicado entender que naquele momento, ao Jesus soprar sobre eles, recebeu o Espírito.
O próprio João tinha dito que o Espírito Santo só seria outorgado quando Jesus ascendesse aos céus (João 7.39). Ainda neste evangelho mostra que o apóstolo Tomé não se encontrava no recinto (João 20.24). Logo, se houve o recebimento do Espírito significa que este apóstolo não o recebeu!
Além do mais, Jesus disse aos próprios discípulos que receberiam poder ao descer sobre eles o Espírito Santo (Atos 1.8). Note bem, a virtude seria concedida ao receber o Espírito! Portanto, indica que eles não tinham ainda recebido o Espírito Santo (Cf. João 7.39 - Atos 2.16-18,33).
O Espírito Santo realmente atuava nos apóstolos nos moldes da velha aliança (Isto precisa ser salientado em face de muitos não fazerem a devida distinção. Foge do escopo a atuação do Espírito no período do Antigo Testamento, porém, será de bom alvitre o ledor se inteirar sobre a temática). Contudo, na nova aliança o Espírito só viria após a glorificação de Jesus.
Acho melhor entender que ao soprar sobre os discípulos Jesus estava enfatizando o ato de eles receberem o Espírito como num ato profético - bastante conhecido pelo povo oriental. Era, portanto, um alerta, uma exortação para que recebessem de vez o Espírito, quando ele fosse dado. Talvez houvesse da parte de Cristo também o reconhecimento do aspecto formal do grupo apostólico ao ter soprado sobre eles.
Todavia, não fica dúvida de que a iniciação das bênçãos da nova aliança, instituída pelo sangue de Cristo deu-se aos apóstolos quando o Espírito Santo foi derramado no dia de Pentecostes (Atos 2.4,16-18,33). Por isso, acho inadequado chamar de ‘segunda benção’ quando na verdade foi a primeira benção nos moldes da nova aliança.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Batismo em fogo

Em Mateus 3.11 menciona o ‘batismo no Espírito Santo e, em fogo’. Lucas 3.16 apresenta a mesma expressão. Sendo que João 1.33 e Marcos 1.8 cita apenas o batismo no Espírito. Talvez, o contexto nos explique tanto a adição quanto à subtração do vocábulo fogo. Contudo, deixarei para o final.
Detenho-me agora no que alguns dizem a respeito desse fogo. Uns alegam que esse fogo é apresentado como elemento de purificação. Destarte, a pessoa seria purificada ao receber o batismo no Espírito. Confesso parecer tentadora tal asseveração, mas será que significa isso mesmo?
Outros afirmam que se trata de dois batismos distintos. Veem distinção entre o batismo no Espírito e o batismo em fogo. Este último elemento simboliza o juízo de Deus destinado aos incrédulos. Enquanto a imersão no Espírito Santo destinado seria aos crentes. Seria essa posição razoável?
Ora, os estudiosos se dividem nessa questão. Há argumentos para ambos os lados. Por esse motivo, não espero unanimidade quanto à opinião apresentada por este que vos escreve. No entanto, pode esperar de minha parte sinceridade, honestidade intelectual e esforço em chegar à conclusão bíblica, pois esta é a que me interessa.
Pelo que já li a respeito da primeira interpretação apresentada há significado múltiplos para o fogo como elemento. Uns chegam a dizer que esse fogo aquece o coração daquele que é batizado no Espírito. Outros, que elimina o desnecessário, que purifica. E, também há aqueles que acham que se trata do fogo que propaga e faz propagar calor, que contagia e incendeia.
Reconheço que o ‘fogo’ tem vários sentidos na Bíblia e, faz-se necessário se ater ao contexto imediato. Ao analisar o contexto de Mateus 3.11, por exemplo, é sugerido que há distinção entre o batismo no Espírito e o batismo no fogo. Queira ler, por favor, a partir do versículo 1 até o 12. A mesma conclusão se chega ao examinar Lucas 3.16. Queira, por gentileza, fazer a leitura do verso 1 ao 18 para a devida compreensão.
Note bem que Marcos e João não menciona o termo ‘fogo’. Ambos aludem aos discípulos! Já Mateus e Lucas faz referência aos dois elementos diante de uma multidão, onde existe tanto crente quanto incrédulo. Isto é significativo.
Jesus antes de subir aos céus falou sobre o batismo espiritual (Ato 1.5), porém, não disse nada acerca do fogo. Foi esquecimento da parte do Mestre? Claro que não! Por uma razão lógica: ele estava se referindo só aos discípulos.     
Quando a gente se volta para João, o Batista consegue ver o que tinha em mente pelo quadro descrito:

Naqueles dias surgiu João Batista, pregando no deserto da Judéia. Ele dizia: "Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo". Este é aquele que foi anunciado pelo profeta Isaías: "Voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele’”. As roupas de João eram feitas de pelos de camelo, e ele usava um cinto de couro na cintura. O seu alimento era gafanhotos e mel silvestre. A ele vinha gente de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. Quando viu que muitos fariseus e saduceus vinham para onde ele estava batizando, disse-lhes: "Raça de víboras! Quem lhes deu a idéia de fugir da ira que se aproxima? Deem fruto que mostre o arrependimento! Não pensem que vocês podem dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo. "Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo. Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga". (Mateus 3.1-12)

Entre os significados de fogo na Bíblia o juízo de Deus é um deles, e no contexto imediato é corroborado. Já o sentido de ‘purificação’, ‘fervor’, ‘iluminação’, etc e tal não encontra respaldo nos contextos supracitados.
Observou-se que este autor ficou com a segunda interpretação porque é coerente com o contexto imediato. Dar outra significação ao fogo como elemento tirando de seu contexto na visão deste incorre em erro crasso.
Alguém pode indagar-me a respeito do fogo descrito em Atos dos Apóstolos, capítulo 2. Teve de fato um sinal visível, foram vistas ‘línguas como de fogo’. Contudo, dentro do contexto em questão é possível verificar seu próprio significado. Quanto a isso tecerei comentário em breve.

Apontamento sobre João 20.22

E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (João 20.22).

Este versículo é evocado por alguns irmãos em Cristo para mostrar que os apóstolos receberam o Espírito Santo após a ressurreição de Jesus, conseguinte foram batizados no Espírito Santo no Pentecostes. Desta maneira denominam a experiência pentecostal como ‘segunda benção’.
De fato os apóstolos estavam limpos pela palavra transmitida por Jesus (João 15.3). Além disto, os seus nomes estavam escritos nos céus (Lucas 10.20). Acertadamente eram salvos. Não tenho dúvida disto. Sendo que é complicado entender que naquele momento, ao Jesus soprar sobre eles, recebeu o Espírito.
O próprio João tinha dito que o Espírito Santo só seria outorgado quando Jesus ascendesse aos céus (João 7.39). Ainda neste evangelho mostra que o apóstolo Tomé não se encontrava no recinto (João 20.24). Logo, se houve o recebimento do Espírito significa que este apóstolo não o recebeu!
Além do mais, Jesus disse aos próprios discípulos que receberiam poder ao descer sobre eles o Espírito Santo (Atos 1.8). Note bem, a virtude seria concedida ao receber o Espírito! Portanto, indica que eles não tinham ainda recebido o Espírito Santo (Cf. João 7.39 - Atos 2.16-18,33).
O Espírito Santo realmente atuava nos apóstolos nos moldes da velha aliança (Isto precisa ser salientado em face de muitos não fazerem a devida distinção. Foge do escopo a atuação do Espírito no período do Antigo Testamento, porém, será de bom alvitre o ledor se inteirar sobre a temática). Contudo, na nova aliança o Espírito só viria após a glorificação de Jesus.
Acho melhor entender que ao soprar sobre os discípulos Jesus estava enfatizando o ato de eles receberem o Espírito como num ato profético - bastante conhecido pelo povo oriental. Era, portanto, um alerta, uma exortação para que recebessem de vez o Espírito, quando ele fosse dado. Talvez houvesse da parte de Cristo também o reconhecimento do aspecto formal do grupo apostólico ao ter soprado sobre eles.
Todavia, não fica dúvida de que a iniciação das bênçãos da nova aliança, instituída pelo sangue de Cristo deu-se aos apóstolos quando o Espírito Santo foi derramado no dia de Pentecostes (Atos 2.4,16-18,33). Por isso, acho inadequado chamar de ‘segunda benção’ quando na verdade foi a primeira benção nos moldes da nova aliança.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Batismo no Espírito Santo e em fogo

A versão Almeida Corrigida e Fiel expressa dessa maneira o versículo 11 de Mateus capítulo 3:
E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo” (grifo do autor).
Entretanto, prefiro a versão da Imprensa Bíblica Brasileira (IBB) que traduziu da seguinte forma:
Eu, na verdade, vos batizo em água, na base do arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, que nem sou digno de levar-lhe as alparcas; ele vos batizará no Espírito Santo, e em fogo” (grifo do autor).
A versão em espanhol, Reina Valera, segue a mesma linha da IBB. Particularmente, vejo como a mais acertada. Não é questão arbitrária deste, mas de coerência. Explico sucintamente: o vocábulo ‘batismo’ não foi traduzido, senão transliterado - vem do grego ‘baptizo’ que significa imergir ou mergulhar. O batismo não é com água, pois este não é instrumental, porém, o elemento em que a pessoa será imersa. Então, quando o verso bíblico alude ao batismo em questão não quer dizer que o Espírito Santo e o fogo são os instrumentos, e sim os elementos. Portanto, as pessoas serão imersas no Espírito e no fogo.
Existem duas principais interpretações acerca dessa expressão ‘batismo no Espírito Santo e em fogo’. Uma diz que as pessoas são imersas em dois elementos, tanto no Espírito quanto no fogo. Este teria a ideia de purificação ou algo dessa natureza. Então, trata-se de um só batismo com dois elementos distintos. Outra interpretação é a de que se refere a dois batismos com os respectivos elementos. Seria então o batismo no Espírito Santo relacionados aos salvos e a imersão no fogo dos incrédulos. Neste caso, o fogo é símbolo do juízo de Deus.
Na próxima postagem vou detalhar ambas as posições para que o leitor verifique qual está de acordo com a Bíblia.  Até breve!

Dom de Línguas

Introdução
O dom de línguas continua sendo ignorado assim como no passado. Aliás, os próprios coríntios, assevera o apóstolo Paulo, eram ignorantes no tocante aos dons, principalmente o de variedade de línguas. Alguns hoje em dia citam o trecho de Marcos 16 demonstrando postura tendenciosa, pois se agarram na expressão ‘falarão novas línguas’, mas fazem vista grossa para o conjunto de sinais contidos. A utilização de versículo fora de contexto não é algo da atualidade. Contudo, sempre causa o maior estrago, visto que, deturpa o escrito sacro.   
A falta de compreensão acerca do dom de línguas conforme descrito na Bíblia tem levado a desvios doutrinários, inclusive a contrafação do dom espiritual em questão. No cenário evangélico em pleno século 21 tornou-se uma verdadeira ‘babel’, isto é, confusão.
Se o leitor hodierno quiser entendimento adequado em relação ao dom é de bom alvitre atentar primeiramente para o livro de Atos dos apóstolos. O capítulo 2, por exemplo, é cristalino. Já na carta paulina, refiro-me a primeira aos coríntios, os capítulos 12-14 devem ser lidos, tendo em mente a epístola toda. Vê se claramente que havia manifestação atribuída ao Espírito que causava confusão e desordem cúltica. Por isso, o apóstolo Paulo argumenta de tal modo a fazer os cristãos a se ‘aquietarem’. O apóstolo na verdade corrige-os.
Devemos adotar a Bíblia como única regra de fé e conduta. Então, toda a nossa experiência religiosa precisa ser respaldada nas Escrituras. A nossa experiência não está acima da Bíblia, antes necessita passar pelo crivo escriturístico. Esta é ao menos a minha postura e entendimento. Dessa forma o dom legítimo da parte do Espírito Santo jamais causará dano a igreja de Cristo, será outorgado e, conseguinte usado para a edificação da grei.

O fenômeno de Línguas em Marcos 16
No versículo 17 desse capítulo do Evangelho consta a expressão ‘falarão novas línguas’. Este é um dos versos mal compreendido, por sua vez, mal aplicado também. Alguns nos dias atuais evocam com o intuito de ‘provar’ tanto a existência quanto a permanência das enunciações de palavras ininteligíveis. Outros as têm como evidência física do batismo no Espírito Santo!
Atente que o capítulo supracitado versa sobre um bloco de sinais.  Estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão” (Vs.16-17). Entretanto, o interesse das pessoas reside apenas em línguas. Por esse motivo detenho-me nele. De fato, o trecho menciona que seriam faladas ‘novas línguas’. Mas que línguas são essas? O autor Marcos caso tivesse em mente ‘línguas incompreensíveis’ usaria o adjetivo ‘néos’ para novas, porém, cuidadosamente fez utilização de ‘kainais’. Desta maneira, estava indicando que falariam novas línguas no sentido de línguas étnicas. Isto mostra que a evocação desse trecho não legitima necessariamente a prática de línguas hodiernas, já que são fenômenos distintos.

Línguas no livro de Atos dos Apóstolos
Afirmei que nesse livro há ensino nítido sobre o dom de línguas. Não preciso me esforçar para mostrar isso, uma vez que o próprio ledor verá o autêntico dom conforme preceituado na Bíblia. Existem apenas três casos onde são descritos o fenômeno de línguas. Então, não será demorada a análise.
O primeiro caso deu-se no dia de Pentecostes. De acordo com o registro bíblico houve fenômenos audíveis e visíveis. No verso 4 do capítulo 2 diz que: “E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”. Note bem que a capacitação de falar em várias línguas foi miraculosa da parte do Espírito Santo. Outra coisa que merece destaque é que não foi falada uma língua só, mas diferentes línguas. Que línguas? Ora, conforme os versos 8-11 foram falados línguas e dialetos de quase 15 nacionalidades representadas naquela ocasião. Sem dúvida alguma os discípulos falaram idiomas humanos!
Outro relato consta em Atos 10. Em Cesaréia o Espírito Santo desce sobre Cornélio e os de sua casa, confere a eles a capacidade de falar em línguas. O apóstolo Pedro que estava junto deles diz que aconteceu o mesmo que no Pentecostes (V.47). Em sua explicação no capitulo seguinte deixa patente que aconteceu fenômeno idêntico (Vs. 15-17). Logo, foram faladas também línguas estrangeiras.
A terceira e última descrição do fenômeno de línguas acontece em Éfeso, devidamente registrado no capítulo 19. O Espirito Santo veio sobre os discípulos de João, “e falavam línguas, e profetizavam” (V.6). Observe que os relatos anteriores no livro de Atos indubitavelmente tratam-se de línguas humanas concedidas sobrenaturalmente pelo Espírito Santo de Deus. Será que nesse episódio é diferente?  Lucas, o escritor do livro, o vê como idêntico aos outros dois. Ao contrário, como médico (e cá entre nós- detalhista) certamente faria a devida observação. Não o fez porque era igual. O dom de línguas refere-se a idiomas humanos, línguas inteligíveis, portanto.

Dom de línguas na epístola de Paulo aos coríntios
É bom lembrar que a manifestação de línguas não é registrada em nenhuma epístola neotestamentária, exceto a primeira aos coríntios. Historicamente não há relato de línguas noutras igrejas primitivas. Nesse caso, a história simplesmente depõe. No entanto, acho importante o conhecimento da historia da igreja. Deveria nos interessar pelo menos como cristãos em saber o que aconteceu nos tempos passados. Incentivo o distinto leitor a fazer sua imersão na história eclesiástica. Além de conhecimento e informação ajudará a entender muitas coisas da atualidade no cenário cristão.
A igreja em Corinto não era, diga-se de passagem, uma igreja exemplar. Foi uma grei bastante problemática. Se quiser analisar uma igreja modelo, não perfeita é verdade, indico a carta de Paulo aos filipenses. Neste sentido, a igreja em Filipos é digna de ser imitada!
É imperioso o ledor contemporâneo fazer a leitura na íntegra dessa epístola para compreensão adequada. Paulo menciona uma lista de dons espirituais para os crentes em Corinto. Nesta descreve ‘variedade de línguas’ entre outros. Acompanhado de interpretação de línguas é claro. Isto está no capítulo 12 verso 10.
Apesar da manifestação de línguas na igreja Paulo mostra que havia ignorância dos crentes acerca dos dons espirituais (12.1). Julgou necessário falar da vida pregressa de uns em religiões de mistérios e, enfatizou que a vida cristã deles desde então é vida no Espírito. E que o Espírito de Deus é ordeiro, isto é, estabelece ordem e decência cúltica.
Paulo diz entre outras coisas que a diversidade de dons requer unidade no corpo de Cristo. Nenhum dom é outorgado para fraturar o corpo de Cristo, a igreja. É concedido soberanamente visando proveito comum. O dom espiritual é dado para a edificação da igreja.
No entanto, algo que me chama a atenção é que ao mencionar o dom de línguas utiliza um termo que é atribuído sempre a esfera humana. Refiro-me ao vocábulo ‘gene’. Este está atrelado à espécie humana. Indicando que Paulo certamente fala sobre línguas étnicas. Ele não tem em vista línguas incompreensíveis, senão inteligíveis.
No que tange ao capítulo 14, quando lido juntamente com os capítulos 12 e 13, o apóstolo não incentiva os coríntios a falarem em línguas [na igreja], mas a dar ênfase a inteligibilidade cúltica. O que importa na congregação é a edificação desta. Por esse motivo, os argumentos paulinos visam os coríntios se ‘aquietarem’. Tudo indica que houve melhora significativa com a orientação apostólica já que na outra epístola Paulo não tenha voltado ao assunto.

Conclusão
Vimos que as línguas em Marcos referem-se a distintos idiomas humanos conforme se verificou no dia de Pentecostes por ocasião da vinda do Espirito Santo. Indubitavelmente o dom de línguas em Atos são línguas estrangeiras. E o dom não mudou! Continuou sendo línguas étnicas como assinalou o apóstolo Paulo (1 Cor 12.10).
A questão envolta ao capítulo 14 dá pano pra manga, então, tive em vista o ensino geral das Escrituras (sem me deter tempo em detalhes). Aliás, sugiro que o capítulo 14 deve ser lido considerando parágrafo por parágrafo, pois aí consta a unidade de pensamento do autor. É erro grosseiro pegar parte de versículo, de modo estanque. Isto trunca o texto, pois ignora o contexto.
À luz do texto de Paulo vê-se que o dom de línguas não é concedido a todos, a outorga é exclusivamente da parte do Espírito Santo que sabe a real necessidade da igreja local. Deus concedendo o fará para a edificação da igreja.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

O que é uma teologia tradicional?

Antes de tudo é bom que se diga que a tradição em si não é ruim. Algumas pessoas tem aversão ao termo achando-o antiquado. Sendo que utilizo numa conotação positiva, não negativa.
Sou membro de uma igreja tradicional. Esta segue o ensino apostólico que por sua vez vem do próprio Senhor Jesus. A denominação batista da qual faço parte, por exemplo, surgiu no século 17. Em 1609 na Holanda. Já o grupo de batista em solo pátrio a que pertenço é o maior e mais antigo também. Então, sou denominado de cristão batista tradicional e/ou histórico.
A teologia tradicional fundamenta-se na Bíblia. Esta é a única regra de fé e conduta para os crentes em Jesus. A Palavra de Deus é tanto autoritativa quanto normativa. As doutrinas batistas são extraídas, portanto, das Escrituras.
Considero Augustus Strong o maior teólogo batista. Todavia, posso mencionar ainda Edgar Young Mullins, Walter Tomaz Conner, Millard J. Erickson, entre outros.
É imperioso e muito gratificante conhecer as doutrinas e princípios batistas. Certamente é um privilégio assim como enorme responsabilidade propalar e vivenciar, sobretudo, os ensinos distintivos dos batistas.  

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Desfazendo equívoco

Como receber o batismo no Espírito Santo em sete dias!  Esse foi o título lido num blog gospel. Depois de mais de trinta anos no meandro evangélico não fico boquiaberto, pois já vi bastantes coisas com os olhos que um dia a terra há de comer. Confesso que já vi coisas que até Deus duvida – conforme se diz no popular. Eu fico na verdade, inquieto. Não compactuo com ensinamento estranho às Escrituras. Por isso, mesmo não sendo um apologista vejo-me no dever de desfazer equívoco doutrinário.
É mister que uma voz ecoe em meio a ensino contrário a sã doutrina. Então, suplico da parte de Deus discernimento e sabedoria. Que o Eterno me ajude, portanto.
Ninguém precisa aguardar sete dias para ser batizado no Espírito Santo, tampouco esperar mais ou menos tempo por uma razão simples: o batismo espiritual já ocorreu em todo crente em Jesus no começo da vida cristã. O apostolo Paulo acerca dele assevera que foi uma ação [divina] passada, realizada em todo crente (1 Coríntios 12.13). Por crente entende-se aquele que realmente se arrependeu de seus pecados e depositou sua fé na pessoa bendita de Cristo Jesus. Então recebeu o perdão divino, desfruta da presença de Jesus através do Espírito Santo, uma vez que nasceu de novo!  
É de bom alvitre destacar que o batismo no Espírito é obra inicial no crente. Aliás, o vocábulo ‘batismo’ indica rito iniciatório. Semelhantemente o batismo espiritual efetuado por Jesus acontece na conversão. De fato existem recepções incomuns no livro de Atos dos Apóstolos, porém, devem ser compreendidas à luz do contexto histórico. Além do que os quatro casos em questão não se constitui necessariamente padrão. Isto porque o ensino geral das Escrituras precisa prevalecer.
Faz-se necessário salientar que tanto a salvação quanto o batismo no Espírito Santo é descrito como dádiva. Logo, é presente que não pode ser conquistado ou adquirido mediante expediente humano. É recebido de maneira graciosa.
Seja grato a Deus pela imersão no Espírito introduzindo-o no Corpo de Cristo, consequentemente concedendo poder do alto para ser testemunha de Jesus aqui na terra. Agradeça-o por tão grande privilégio e responsabilidade.
Que Deus use-o cada vez mais e mais.  

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Batismo no Espírito - dádiva dos altos céus

Um assunto sempre atual é sobre o batismo espiritual. Interesso-me realmente pela temática. Noto que há pessoas com diversas dúvidas concernentes ao tema. Então, aproveito para dirimi-las.
Muitas questões levantadas são derivadas da ignorância escriturística. Aliada a isso as distorções existentes complicam ainda mais a situação. Por fim, verifica-se uma babel, isto é, confusão generalizada.
Convido o leitor a ler o livro de Atos dos Apóstolos, na íntegra, e constatará que em nenhum momento é dito que se deve buscar o batismo no Espírito Santo. A ausência disto verifica-se em todas as epístolas neotestamentárias. Tampouco existe mandamento para buscar o revestimento de poder. Por uma razão simples é obra unilateral da parte divina. Logo, dispensa expediente humano conforme o adotado na contemporaneidade.
Nos evangelhos nos é dito que Jesus batizaria no Espírito Santo. A imersão no Espírito é efetuada por Cristo. Depende unicamente dele. Destarte, jamais foi incitada por Jesus. Este batismo espiritual é descrito como promessa. Como tal nunca é buscada, senão recebida! Isto porque consiste numa dádiva.
Os apóstolos, por exemplo, receberam esse presente dos altos céus. No dia de Pentecostes o Espírito Santo foi derramado sobre eles. Ademais, foram cheios do Espírito (Atos 2.4). E o mesmo concedeu-lhes a capacidade para falar em idiomas humanos (Atos 2.4,6,8,11). Homens incultos falando em línguas estrangeiras, cuja ação miraculosa fez com que a multidão representada (por dezenas de nacionalidades) ouvisse falar das grandezas de Deus. Alguém considerou esse evento o reverso de Babel (Cf. Gênesis 11).
O leitor atento observa que em nenhum lugar diz que a evidência desse batismo espiritual é ‘línguas estranhas’. Aliás, esse termo ‘estranha’ não se encontra em nossas traduções em língua portuguesa, tampouco no texto em grego – língua utilizada na composição do Novo Testamento.
Note bem, tanto no evento em Pentecostes quanto em Cesaréia, bem como em Éfeso não existe o vocábulo ‘estranha’ associada ao fenômeno de línguas. Nos três casos onde constam as línguas, respectivamente Atos 2, 10 e 19, não faz alusão às ‘línguas estranhas’ – comumente faladas hodiernamente.
Diante do exposto fica claro que não é preciso buscar o batismo no Espírito. Até porque é ação iniciatória, acontece no começo da vida cristã. E o apóstolo Paulo assevera que todos foram batizados no Espírito (1 Coríntios 12.13). Evidentemente existe experiência de conversão que é dramática, outra nem tanto, porém, é o [mesmo] Espírito Santo que opera de maneira poderosa – transformadora, no íntimo da pessoa que se arrepende e crê na pessoa bendita de Cristo Jesus.
Termino explicitando que a salvação eterna em Cristo é a maior dádiva que alguém pode receber, além do dom da vida é claro. É justamente quando nos convertemos que acontece o maior milagre! O novo nascimento é obra do Espírito Santo, algo extraordinário, acrescento – incomparável. Logo, nenhuma ‘benção’ subsequente à regeneração pode ser colocada em pé de igualdade.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Batismo espiritual - Ponderação

Desde a década de 90 a doutrina do Espírito Santo, especificamente a questão relacionada ao batismo no Espírito Santo despertou minha intenção e, consequentemente foi assunto de meu interesse.
Tive livre acesso ao meio denominado pentecostal tendo participado de inúmeras reuniões cúlticas, conhecendo os seus bastidores inclusive. Além disto, devorei as literaturas clássicas desse movimento hercúleo. Tenho parentes e muitos amigos, que moram no lado esquerdo do meu peito, que fazem parte desse segmento religioso em solo pátrio.
Observo que no passado a ênfase no batismo espiritual era maior. Nota-se certo declínio no âmbito pentecostal. A própria liderança embora reafirme a doutrina distintiva tem sido mais comedida. Essa é ao menos a impressão que tenho.
Algo que não passou despercebido foi o fato de bastantes pessoas terem recebido o tal ‘revestimento de poder’, ainda assim, ficarem aquém da proposta inicial. Parece-me que na prática a experiência religiosa não gerou grande mudança, ao menos a esperada pelos então candidatos do batismo espiritual. Não quero partir para a polêmica, porém, a chamada ‘segunda benção’ não surtiu o efeito aventado.
Apesar de discordar do ensino [equivocado] do batismo no Espírito Santo com a evidência de línguas estranhas, não posso deixar de reconhecer que o movimento pentecostal ofereceu contribuição no Brasil e mundo. E, é irreconhecivelmente uma grande força no cenário religioso.
Faço uma ressalva. Estudando as doutrinas pentecostais. Confesso que li inúmeras teologias sistemáticas dessa vertente. E fiz a leitura atenta de outras obras. Tenho boa impressão da doutrina em si. Acho-a interessante. Todavia, pressinto que há certo abismo entre a doutrina e a prática. De um tempo pra cá tenho feito leitura, inclusive, de material acadêmico de alta qualidade que não reflete o cotidiano no arraial pentecostal. Isto sempre chamou a minha atenção.
Sabidamente ventila-se no meio pentecostal que o Espírito Santo é uma pessoa divina, diga-se de passagem, a terceira pessoa da santíssima Trindade. No entanto, parcela significativa dos membros lida com o Espírito como se fosse um poder impessoal e/ou uma energia. Nesse caso, o Espírito Santo atua como se fosse um fio desencapado dando choque nas pessoas. Esse comportamento ‘eletrizante’ é patente. Logo, não pode ser negado.
Se analisar detidamente as Escrituras veremos que o batismo no Espírito é equivalente ao dom do Espírito. Este consiste no próprio Espírito Santo que é outorgado ao crente em Jesus (Cf. Atos 2.38,39; 10.44-48 – 11. 15-18). De fato, o dom do Espírito está disponível a todos que depositarem sua fé em Cristo e arrepender-se genuinamente de seus pecados (queira ler, por favor, a referência bíblica acima).
O batismo no Espírito, por exemplo, na Bíblia foi ação unilateral da parte divina. Por isso, que causa estranheza buscar o batismo espiritual. Repare que todo e qualquer expediente [humano] utilizado na contemporaneidade carece de fundamentação escriturística. Nenhuma das pessoas buscou o batismo espiritual. Isto justifica a ausência do assunto nas epístolas do Novo Testamento.  
Agora trato da questão da evidência do batismo no Espírito. Existe divergência por parte de crentes sinceros em todos os segmentos do cristianismo. Então, não se pode esperar unanimidade no que tange ao entendimento desse autor. Como pontuo em relação ao movimento pentecostal, esse assevera que o sinal do batismo espiritual é o falar em línguas. Pergunta oportuna é: que tipo de línguas? Isto porque as línguas faladas no dia de Pentecostes foram indubitavelmente idiomas humanos. Muitos estudiosos pentecostais reconhecem que constam naquele evento línguas reais, portanto, conhecidas. Se o ponto de partida é o evento Pentecostal conforme descrito em Atos 2 o que se deve esperar no mínimo, por uma questão de coerência, é que as pessoas falem hoje em dia línguas estrangeiras, e não línguas estranhas.
Sou obrigado a repetir que os discípulos jamais buscaram o batismo no Espírito Santo, por uma questão puramente didática - para fixação na mente e coração do leitor, assim como as línguas faladas no evento de Pentecostes não são as mesmas da atualidade. Acho desnecessário discorrer extensamente sobre a ausência dos demais fenômenos visíveis e audíveis, conforme descrições bíblicas não se repetem mais (Atos 2.1-11). Vale salientar que houve um cumprimento profético.
 Se as línguas estranhas, comumente faladas, não tem nada a ver com Atos 2, vejo como improcedente exigir que o candidato ao ministério pastoral informe que é batizado no Espírito tendo línguas incompreensíveis como sinal. Se o critério é bíblico, logo quem fala língua estranha – digo de maneira respeitosa e falando a verdade em amor, não harmoniza com o evento genuinamente pentecostal. Soube de homens sérios e valorosos, inclusive, com moral ilibada que foram impedidos de participar de liderança eclesiástica [somente] por não emitirem uns sons ininteligíveis.
O autor não nega importância que a famigerada ‘segunda benção’ tem para os de dentro do movimento pentecostal. No entanto, não ver compatibilidade com o teor escriturístico, visto que, insisto que jamais se buscou o batismo no Espírito sequer foram faladas línguas estranhas – nos moldes atuais, no dia de Pentecostes. Por isso, não enxergo como uma experiência semelhante, pois há algumas discrepâncias que não comportam nesse escopo.
Concluo ratificando que o autêntico batismo espiritual se dá com a outorga do dom do Espírito. Destinado a todo aquele que crê e se arrepende por ocasião de sua conversão. Que indubitavelmente os discípulos falaram idiomas humanos concedidos de maneira miraculosa (Cf. Atos 2.4). Que em nenhum lugar do Novo Testamento há insinuação tampouco mandamento para se buscar o batismo no Espírito Santo. Ao contrário, preceituado está que deve sim, buscar se cheio do Espírito (Efésios 5.18). Todavia, essa plenitude é distinta do batismo espiritual podendo ocorrer simultaneamente.

domingo, 1 de setembro de 2019

Batismo no Espírito Santo – Como acontece?

Em pleno século 21 muitos ainda acham que precisam buscar ardentemente o chamado ‘batismo no Espírito’. Sem dúvida a procura se dá por causa do analfabetismo bíblico que é gritante no cenário religioso, especificamente evangélico.
Uns dizem que o batismo espiritual não ocorre por acaso, e talvez por isso, utilizam toda sorte de expediente humano a fim de obtê-lo. Além do que, usam trechos sacros fora do contexto, sem interpretação plausível.
Equivocadamente citam o centurião Cornélio dando-o como exemplo de busca do batismo espiritual. Esta ideia desfaz-se, rapidamente e completamente, com leitura atenta – cuidadosa, do trecho bíblico em questão.
O capítulo 10 de Atos dos apóstolos mostra, sim, que Cornélio era piedoso, porém, indica que não era convertido, isto é, regenerado. Ele não experimentara o nascimento espiritual até então. Isto está patente! (Queira ler o texto bíblico, por favor). Em nenhum momento assevera que Cornélio buscou o batismo espiritual como ‘segunda benção’. Ao contrário, recebeu o dom do Espírito no começo da vida cristã.
O texto mostra claramente a nós (que também somos gentios) que o dom do Espírito é universal, ou seja, é concedido a todos aqueles que creem [em Jesus] e se arrependem de seus pecados. Sendo outorgada a salvação eterna.
No capítulo 11 (que é uma explicação petrina do evento ocorrido) é cristalino que o dom do Espírito equivale ao batismo no Espírito, que acontece justamente no momento de conversão. As línguas estrangeiras faladas naquele âmbito comprovaram que os gentios foram incorporados no corpo de Cristo.

* Dom do Espírito - Esta dádiva consiste no próprio Espírito Santo sendo concedido no ato de conversão. É, uma benção inicial, portanto.

sábado, 31 de agosto de 2019

Língua estranha é a evidência do batismo no Espírito Santo?

Bato na mesma tecla é verdade (não desejo isso, porém, as circunstâncias exigem, pois sempre tem pessoas fazendo a mesma pergunta), é como ‘chover no molhado’, eu sei disto, mas cumpre-me tocar uma vez mais na temática.
Esta postagem singela não visa à polêmica, e sim, o esclarecimento desejando dirimir dúvida dos leitores. Então, língua estranha é ou não a evidência do batismo espiritual? A resposta é um sonoro não! Isso mesmo: ‘Não’.
É bom que se diga de início que línguas estranhas não são do mesmo tipo das línguas faladas no dia de Pentecostes. Isto para começo de conversa. Realmente, não tem nada a ver as línguas [estrangeiras] faladas no evento genuinamente Pentecostal (conforme descrição de Atos dos Apóstolos capítulo 2) com as atuais. E, é forçoso reconhecer que os eventos de Atos 10 e 19, tratam-se das línguas semelhantes às faladas na contemporaneidade.
Nos trechos usados [com insistência] por muitos para associar o fenômeno de línguas com o hodierno não tem sustentação escriturística. O termo ‘estranha’ sequer consta no texto original. E, tampouco nas traduções em língua portuguesa, por exemplo, aparece o tal vocábulo atrelado às línguas.
Ademais, nos três casos de línguas citados na Bíblia as pessoas envolvidas nos eventos não buscaram o batismo espiritual muito menos tinham a pretensão de falarem em línguas! Estas foram concedidas por Deus com propósitos específicos, ainda assim tratava-se de línguas inteligíveis.
Logo, a assertiva de que línguas estranhas nos moldes atuais é evidência do batismo no Espírito carece de fundamentação bíblica. Basta lembrar que esse tipo de ensino surgiu no início do século 19. Doutrina ‘recente’ quando comparado aos mais de dois mil anos do cristianismo.  

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Leitura

Há muito tempo que essa frase me acompanha: "Ler é o melhor caminho para novas descobertas". E, tenho feito ‘descobertas’ incríveis em relação à Bíblia. Esta é a Palavra de Deus, como tal é fonte inesgotável. Incentivo cada ledor a dedicar tempo e atenção à leitura das Escrituras Sagradas. Vale a pena.
Que Deus o abençoe ricamente.  

domingo, 16 de junho de 2019

Testemunho

Parte da minha infância foi numa igreja batista tradicional. Na adolescência desci às águas batismais na mesma grei. Entretanto, alguns amigos do colégio me convidavam quando tinha programações especiais nas suas igrejas. De certa maneira passei a conhecer as igrejas pentecostais e, algumas poucas, neo pentecostais.
Lembro-me dos meus amigos questionando acerca do batismo no Espírito Santo. Afinal, na igreja da qual fazia parte não se falava em línguas tampouco se buscava a chamada ‘segunda benção’. Naquela época respondia-os que o dom de línguas eram idiomas humanos e que o batismo espiritual dava-se na conversão. Apesar de ser leitor da Bíblia as minhas respostas eram, na verdade, entendimento de outros cristãos tradicionais.
Foi na juventude que comecei a questionar de fato a respeito do dom de línguas e batismo no Espírito Santo. Isso se deu no período mais difícil de minha vida, que evito expô-lo, mas onde tive apoio irrestrito de irmãos pentecostais. Embora, os irmãos tradicionais estivessem dando-me suporte também. Nessa época participei de múltiplas reuniões de cunho pentecostal. Devore, inclusive, os livros desse segmento.
Numa noite, em meio à crise (a qual eu me reservo) participei duma vigília onde as pessoas objetivavam serem batizadas no Espírito Santo. Deus sabia perfeitamente do meu momento tênue, de igual modo de minha sinceridade e o desejo de fazer tão somente a vontade dele. Naquela reunião entreguei-me de corpo e alma. Assim como os demais irmãos, presentes, buscamos o ‘revestimento de poder’, afinal de contas, sendo proveniente do Espírito jamais desprezaríamos tal benção. Não obstante a sinceridade e o anseio de todos, assim como a abertura de coração, etc e tal, só uns poucos emitiram sons ininteligíveis, os quais foram declarados como ‘batizados no Espírito’.
A partir daí eu é que comecei a indagar: Se o batismo espiritual é para todos porque nem todos são imersos no Espírito? Por que não fala em línguas os que buscam de todo o coração o revestimento de poder? Essas perguntas eram sinceras; não de coração ou de mente incrédula. Desejei no íntimo saber a verdade. Estaria a verdade de que lado? Do lado tradicional ou pentecostal? Ou, de repente ambos estariam errados? Independente da resposta divina até então iniciara em minha vida a busca pela verdade e, nada mais do que a verdade. Do mesmo modo que fui incentivado a inquirir a respeito das doutrinas esposadas pelos tradicionais, embora ainda fosse um, passei a adotar o mesmo critério no que tange as doutrinas defendidas pelos pentecostais. Definido ficou que buscaria a verdade na própria Palavra de Deus. A Bíblia seria então aferidora! Foi nesse tempo que anelei do fundo de minha alma aprender o grego koinê a fim de verificar os manuscritos originais. Isso se deu nove anos depois no seminário teológico.
Como foi que Deus me respondeu? Bem, orei com todo o meu ser a Deus. Supliquei direção, sobretudo, iluminação do Espírito Santo. A resposta divina veio de maneira natural, porém, resultado de algo sobrenatural. Certo domingo pela manhã eu liguei o rádio. Sintonizei numa emissora de programação evangélica. O reverendo Guilhermino Cunha da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro pregou justamente em Atos 2. Versou sobre o batismo no Espírito Santo e as línguas faladas naquele evento. Entendi aquilo como resposta de Deus. Alguns poderiam falar que foi coincidência, porém, sei de maneira que não consigo explicar que Deus falou justamente comigo. A voz divina foi inconfundível. Após, recebi material evangélico de uma educadora cristã doutra região do estado do Rio de Janeiro que vinha ao encontro ao meu anseio. Com as revistas trimestrais em mãos realizava as leituras e estudos bíblicos. E, cada vez mais o Senhor falava ao meu coração através da Bíblia.
Como disse estava disposto em saber a verdade. E, tinha que me apegar a algo realmente seguro, por isso, detive-me na Bíblia. Percebi que não podia pautar-me na experiência religiosa minha, muito menos de outrem. A partir daí todo e qualquer assunto seja teológico ou não, eu busco orientação segura na Palavra de Deus. Posso garantir o apreço que tenho pela Bíblia, assim como admiração até hoje, mesmo passada duas décadas.
Eu, Gustavo Luiz, disse a verdade – não menti em nenhum momento. Deus é minha testemunha.